Show de Bad Bunny já é o mais político da história do Super Bowl, mesmo se não tiver manifestações


Bad Bunny está no topo do mundo. Ele é o artista mais ouvido do planeta, acaba de ganhar o Grammy de álbum do ano e, neste domingo (8), comanda o cobiçado intervalo do Super Bowl, evento de maior audiência da TV americana.

O show terá transmissão ao vivo na GE TV e no Multishow, a partir das 22h, com reexibição na TV Globo após o "BBB".

Tudo indica que esse show vai causar muita discussão. Não que ele precise fazer muito pra isso: será um artista porto-riquenho, que canta em espanhol e já se posicionou contra o Trump, ocupando o palco do evento mais midiático e americano da atualidade. Tudo isso em um período muito tenso por lá.

Antes mesmo de acontecer, a apresentação de Bad Bunny já repercutiu significativamente em relação aos últimos anos. E enfureceu Trump e seus apoiadores, alguns até organizando uma "programação paralela" em protesto.

Neste domingo, o intervalo pode bater recordes de audiência. Podemos estar diante do show mais politicamente carregado da história do Super Bowl — mesmo que o cantor não faça nenhuma manifestação. 

Artista já se posiciona na carreira e no álbum

Não é segredo que Bad Bunny tem um lado político atrelado ao seu trabalho. Há anos, as músicas e o posicionamento público do cantor falam por ele.

Isso ficou claro em 2019, quando o músico abandonou uma turnê para se juntar a uma onda de protestos contra o governador Rosselló, em Porto Rico. Na época, ele se juntou aos conterrâneos Residente, iLe e Ricky Martin, se tornando uma das celebridades porto-riquenhas mais ativas politicamente.

Além disso, Bad Bunny nunca abriu mão de sua identidade latina para emplacar nos Estados Unidos, um privilégio que Shakira ou Ricky Martin não puderam ter.

As músicas do cantor são inerentemente latino-americanas: seguem a linha do reggaeton e trap latino, com letras em espanhol, além de citações musicais que vão de "Garota de Ipanema" a clássicos porto-riquenhos.

Essa aposta ficou maior com o disco “Debí Tirar Más Fotos”, que defende a história e a cultura de Porto Rico. Lançado no dia 5 de janeiro de 2025, semanas antes da posse de Trump, o álbum fala sobre identidade latina, gentrificação e imperialismo americano na ilha. Em muitos casos, os temas mais políticos são disfarçados sob batidas dançantes.

Um destaque é o clipe de “Nuevayol”. Nele, imigrantes param para ouvir o rádio, com uma voz que soa como a de Trump.

Vale dizer que o Super Bowl será o único show da turnê atual de Bad Bunny nos EUA. O músico não incluiu nenhuma outra data no território estadunidense, dizendo que tinha medo de que seus fãs fossem alvo de operações do ICE.

O show do intervalo do Super Bowl é um dos eventos musicais mais assistidos do mundo, atraindo mais de 100 milhões de telespectadores somente nos Estados Unidos.

Historicamente, é um entretenimento “inofensivo”, projetado para manter o público ligado e garantir o faturamento publicitário nesse evento de altíssima audiência da TV americana.

Não é exatamente um evento isento de polêmicas, claro. Na verdade, um pouquinho de controvérsia (como mostrar o dedo do meio ao vivo, como fez M.I.A. em 2012) nunca fez mal para a divulgação do negócio.

Mas de manifestação mesmo, o máximo que o Super Bowl viu foi em 2016 — quando Beyoncé, vestida como os Panteras Negras, divulgou uma música inédita sobre negritude. Mas ela era só a convidada da atração principal, que era o Coldplay. Ou em 2025, quando um dançarino de Kendrick Lamar mostrou uma bandeira da Palestina e do Sudão de forma abrupta. Ele foi preso.

Na época do anúncio de Bad Bunny, a Secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos Kristi Noem chegou a dizer que o ICE estaria "em todo o lugar" durante o Super Bowl.

Mas nos últimos dias, a chefe de segurança da NFL, Cathy Lanier, afirmou que os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos não terão qualquer participação no evento.

De toda forma, o clima segue bastante tenso por lá. E em um momento em que ações anti-imigração são a pauta da vez, um artista porta-voz da comunidade latina subirá ao palco.

Nesse contexto, quase tudo que ele fizer (ou não fizer) vai acabar gerando discussão. Aliás, em parte, é isso que a NFL quer: audiência, conversa, e mais publicidade.

Como deve ser o show?

Apesar de todos os fatores, pode ser que Bad Bunny não faça grandes manifestações na apresentação deste domingo (8). Ele já se posicionou ao vencer o Grammy na última semana, quando aproveitou para defender imigrantes e pedir "fora ICE" em seu discurso.

Tudo indica que o lema do show será de união e exaltação da cultura latino-americana. No contexto atual, isso já indica um posicionamento. E talvez o máximo que um show desse calibre pode ter.

Fonte: g1

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